Mas hoje, além de ser feriado (portanto eu não teria desculpas de falta de tempo), completa exatamente um mês do show que, até a presente data, consta como o melhor de toda a minha curta vida social. Me marcou demais, e eu faria tudo de novo se pudesse. Aproveitaria mais, se é que isso seria possível.
Bem, para começar, tenho que falar de janeiro de 2009, quando eu soube que os canadenses do Simple Plan estavam vindo pro Recife.
A minha primeira reação foi de gritos. Seguidos de um choro de felicidade e cantaroladas nas músicas. Eles tavam vindo. Aqueles que eu aos 11 anos costumava assistir os clipes na MTV. Aqueles que compareceram à 7ª edição do Big Brother Brasil e eu fiquei com a sensação de que daria tudo para estar ali também. E quando eles resolveram cair na piscina? aaaaaah como eu queria estar ali! HAUHAISH e enfim, eu poderia ter a chance de vê-los bem perto de mim. Isso foi muito, muito emocionante, cara. Imagina! Eles vindo pra Recife! Impossível! Enfim... passei horas e horas ouvindo as músicas, liguei pra minha mãe 41878945165498 vezes no dia só pra dizer: "mããããe, Simple Plan tá vindo pra cá, eu vou né?" Mas aí eu sempre recebia um não como resposta. Foi complicado. Eu já tava meega triste quando começaram a aparecer os comerciais na tv. Até que o meu pai disse: "você vai. Não vou lhe privar disso" CAAAAAARA, eu surtei, como nunca tinha feito antes. (tá, o meu surto de quando eu descobri que eles estavam vindo foi pior HIUASHIUAS). Uma semana pro show. Foi esse a época do veredito. Agora imagina o quanto eu sofri de janeiro até março, né?
Na quinta-feira, 19 de março, dia do aniversário da minha avó paterna, meu pai me buscou na fisioterapia para podermos falar com ela, mas antes disso, ele disse que iria pegar o meu abadá do show (Pra quem não sabe, o Simple Plan se apresentou aqui num Festival de Verão, junto com Capital Inicial, Banda Eva, Inimigos da HP e Nação Zumbi, portanto tinha toda aquela história de abadá e panz) só que, como foi de surpresa isso, eu tinha deixado o ingresso em casa. Fomos em casa, pegamos o ingresso, e, a 200 metros do estabelecimento, um ônibus arrastou nosso carro. Simplesmente destruiu toda a lateral do carro e por pouco não nos destruiu também. Foi um acidente muito feio, que ocasionou um grande congestionamento. Meu pai, graças a Deus, só levou um corte no braço, nada de mais, porém, ele ficou sentindo muita dor nas costelas. Ah, sem esquecer que a única coisa que parou o ônibus arrastando o meu carro foi um poste, bem na minha frente. Minhas sequelas foram imediatas. Além de uma irritação incrível (por causa do show HIAUSHUAHS), porque eu ainda não tinha me dado conta do que acabara de acontecer, uma dor insuportável no pescoço me afetava. Dor esta que se alastrava pela minha coluna. Mas não tinha sido nada de grave. Apenas o movimento de "chicote" do acidente teria ocasionado um mal jeito na minha coluna. Diagnóstico? Antiinflamatórios, um colar cervical e repouso absoluto por 3 dias. Ou seja, meu sonho de ver o Simple Plan tinha acabado junto com o automóvel. Ou não. Voltando ao lugar do acidente, no qual meu pai já tinha me mandado pra casa (eu me recusei a ir ao hospital, tinha que ajudar meu pai com as coisas do seguro), um micro-ônibus da polícia militar chegou lá, (mas não havia sido designada para isso, claro), tratou o meu pai muito mal, ameaçou de multá-lo porque estava obstruindo a passagem e ainda riu da cara do meu pai quando ele pediu para chamar a perícia e que eu tinha sido socorrida. Sabe o que o estúpido policial falou? "ninguém morreu, não precisa de perícia, você nem sangrando está (ele estava), e dor é frescura" Veja que coisa mais linda a se dizer a uma pessoa que acaba de quase morrer. Pena que o meu pai não pegou o nome dos policiais, porque isso tinha a obrigação de ocasionar uma briga feia. Enfim...
Chegou a véspera do show. Eu tava com meu ingresso e minha camisa em mãos (Obrigada a Manuella, que foi pegá-la). E tomei a decisão mais correta da minha vida: Iria ao show, nem que isso me custasse dores adicionais. Pela manhã, fui à escola, fiz duas provas, e fui pra casa da minha amiga, Mariana, que iria para o show também e gentilmente me convidou. Chegando lá, uma de nossas amigas, Maria Luiza, ligou, com a voz mais feliz do mundo, contando que tinha acabado de perseguir a van deles, tinha falado com eles, entregue o presente e pego uma palheta de Seb. Se eu sou fã ela é 20 vezes mais. Isso me encheu de alegria, mesmo eu não tendo participado.
Chegamos na fila mais ou menos umas 13:35 (os portões abririam às 19:00 e o show começaria às 21:00) e, para a minha surpresa, não éramos as únicas lá. Já tinham umas dez pessoas, super empolgadas e à medida que o tempo passava, outras chegavam super felizes por terem encontrado seus ídolos, tirado fotos com eles, e tudo mais. E outras frustradas por quase terem conseguido. Logo após começamos a cantar as músicas e tirar fotos. A cada segundo que passava, estávamos chegando mais perto, mais perto de realizar o sonho de muitos. Conheci um garoto (que ficou ao meu lado no show) que tinha viajado 22 horas, se não me engano, de ônibus só para vê-los e que não tinha onde dormir nem nada. 18:55, 18:56, 18:57, meu coração queria sair pela boca. Na fila mesmo as lágrimas começaram a descer. Está chegando perto, muito perto. 19:05 os portões foram abertos. Eu, que sou sempre muito educada e deixo as pessoas passarem na minha frente, confesso que agi feito uma selvagem. Assim como as outras pessoas HIUSAHS, empurrei, corri para a catraca mais vazia, a segurança veio me revistar e eu, impaciente, olhei pra ela e disse: "por favor, vá logo, eu preciso chegar na frente". Ela logo me soltou e disse um: "boa sorte" baixinho e sorridente. Meu primeiro obstáculo até chegar lá, além de ser bem longe: Escadas. Eu teria que subir muitos degraus e eu não sou muito boa com isso. Como já disse, faço fisioterapia, para os joelhos. Não consigo correr, tampouco numa rapidez e numa escada. Mas acho que tive uma carga de adrenalina HAIUSHA. Sem pensar em nada, só nos 5 caras por quem eu estava fazendo aquilo, subi as escadas que nem senti. Com toda a garra que podia, continuei correndo. Até que quase caí e tinha uma mão do meu lado. Era a de Ana Cláudia, uma das minhas melhores amigas desde a 5ª série, que tinha ido comigo. Ela sinalizou que havia me alcançado, eu prontamente respondi, agarrando a mão dela e a puxando, o mais rápido que podia para o palco. Assim que cheguei lá, duas amigas minhas já estavam, e estavam comemorando por eu ter chegado, apesar de tudo. Foi uma sensação indescritível quando eu pus minhas mãos na grade. Isso significaria que eu estava o mais perto deles possível. E localizada bem no centro do palco. Agradeci a Deus por ter conseguido, sem fôlego nenhum.
Começamos a cantar e dizer o que tínhamos passado para as emissoras e jornais. Engraçado.
O show de Inimigos da HP começou. É, não tinha muita gente interessada, mas todo mundo respeitou e tentou curtir o máximo que podia. E o cara cantando pra mim foi muito, muito engraçado HAISUAHSIAUHS. Intervalo entre os shows. Anúncio dos shows que estão por vir. De repente, vejo Danny Jones no telão cantando "I think I'm gona lose it, lose it, lose it" e começo a gritar, "McFLY!" desesperadamente. Para a minha surpresa, não fui a única. Existiam por lá vários fãs do McFLY também e que gritavam na mesma intensidade que eu.
Começaram a montar todos os equipamentos do Simple Plan. O Frenchie (roadie do SP) chegou lá e eu e Maria Luiza começamos a gritar: "hiiiiiiii Frenchieeeeeee", ele respondeu, com um hi e um aceno, fofo *-* Isso levou 20 minutos entre afinamentos de guitarras, testes de microfones e batidas na bateria. Meu coração parecia querer pular pra fora. Mas ficou por lá mesmo. Passado esse tempo, o apresentador chegou dizendo: "eu vou começar o nome da banda, e vocês terminam, tudo bem? e com vocês Simpleeeeeeeeee...." Toda a minha garganta e meus nervos gritaram em coro: "PLAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAN" Não sentia mais nem dores na coluna. A descarga de adrenalina faz milagres (Y)
Entrou o Chuck e logo se instalou na bateria, seguido pelo Jeff, o David mais loiro do que nunca HIUAHSAS (o qual ficamos gritando "BELO, BELO, BELO!" por parecer com o cabelo do cantor de pagode HUSUIAHSAS), o Pierre, com as bochechas mais fofas e mais vermelhas que eu já vi em toda a minha vida, o Seb, (ou sebdelícia, como eu costumo chamar (Y)). Sinceramente, não gritei. Eu não acreditava que eles estavam na minha frente. Até o Pierre começar a cantar: "I'm sick of all this waiting and people telling me what I should be..." Foi a coisa mais estranha que eu já vi na vida, um sonho se tornando realidade. Não tem nada parecido com isso, acreditem.
Logo após o começo, fui praticamente esmagada, e a cada hora ia ficando pior e pior. Mas nada disso me importava. Eu tava vendo o que eu sempre quis, não tinha nem o direito de reclamar. Várias pessoas sendo socorridas, desmaiando. Eu não aguentava mais. Sede, muita sede. Pedi água ao bombeiro, que disse que para me dar, eu tinha que sair dali, e saindo eu tinha que ir direto pra enfermaria. Eu fiquei alterada, disse que 4 anos de espera não iam se resumir em 40 minutos de show. Eu queria mais. Eu precisava de mais. Então ele disse que não podia fazer nada por mim, a não ser que eu cooperasse. Após minha pequena "discussão" com o bombeiro, recebi a primeira recompensa por estar ali. Um simples sorriso de Pierre. Sorriso esse que me encheu de alegria e forças pra continuar cantando. Então ele desceu mais pra perto da gente (eram cerca de 2,5 m da grade pro palco, tendo ainda uma parte mais baixa, que servia pra colocar as águas e panz.) Ele chegou ali em Take my hand. Prontamente eu gritei: "TAAAAAAAAKE MY HAAND TONIGHT PIEEEERRE!" (eu sei que foi podre) e ele ouviu, se abaixou o máximo que pôde, tentou segurar na minha mão, mas nem a ponta dos dedos foram alcançados. Isso foi determinante para eu dar um grito que todos os meus "vizinhos" reclamaram HAUSHAIUSH e que levaram Pierre a uma risada. Começou a tocar Save You e eu fui as lágrimas. Lágrimas essas que não cessaram até o final do show. Mas nada comparado a minha amiga que simplesmente tava gritando de tanto chorar. Éramos duas desesperadas. Eu, mais ainda quando o Pierre fez um coração cara, um coração *-* foi a coisa mais linda que alguém podia fazer pra mim. Sério mesmo. O show em si, até hoje não recordo direito. Acho que aproveitei demais pra qualquer lembrança. Só me lembro da dor que senti no pescoço quando ele cantou Untitled, que por sinal estava na minha cabeça bem na hora do acidente. (Todos sabem que no clipe dessa música existe um acidente de automóvel). Todo o acidente veio a minha mente e com ele todo o esforço, totalmente compensado por aquelas 2 horas mais lindas da minha vida. Que passaram rápido, muito rápido. Mas totalmente extasiantes. Quando estavamos no meio de perfect, eu tava fraca, quase desmaiando e olhei pra baixo, assim que levantei de novo a cabeça, o Pierre tava sorrindo pra mim o maior sorriso de apoio que alguém pode dar. O sorriso de que se ele pudesse me ajudar, me ajudaria, com certeza. Pode ser pretensão minha, mas essa foi a minha sensação. Quando se findou o show, e o Seb estava perto de mim eu gritei desesperadamente por água. Não deu outra. Ele tomou um gole e jogou ela toda em cima da minha cabeça, tentando "abaixar meu fogo" talvez HUIAHSUIAH, e depois jogou a garrafa pra mim, mas eu não peguei por que eu tava quase desmaiando. Saí da grade. Quase sem respirar, mas com uma sensação de perda. Cara, tinha acabado. Eu posso nunca mais vê-los, mas o que importa é que eu os vi. E foi a melhor coisa do mundo.Sentei. Deitei. Mais choro. E uma ligação. Pra Mayara, amiga de São Paulo, fã do Simple Plan. Eu tinha que contar o que tinha acontecido. A acordei, mas ela não se importou. Gritei no ouvido dela, mas juro que foi sem querer. Mais lágrimas de emoção saíram quando escutei a voz dela pela primeira vez. Como eu estava sentimental! HIAUHSUAHSUAHS
Um problema de joelho do Marcelo, que tava junto com a gente me fez ver o Chuck Comeau na minha frente. E minha covardia calou minha voz. Eu não acreditava que a dois passos de mim estava o baterista mais foda de todos. Com a minha tentativa de levantar e o meu Chuck susurrado, ele percebeu e me deu um largo sorriso e um aceno. Nada mais que isso porque os seguranças o levaram. Mas isso vai ficar, como todas as outras coisas, sempre, sempre guardado na minha mente. I'm addicted to you (L) Só tenho a agradecer todas as pessoas que me ajudaram, de uma forma ou de outra para que eu os visse, e que eles venham de novo, de novo e de novo. E que dessa vez, minha voz não me traia HIUSHASUSH
E McFLY está vindo por aí o/